TROCA DE CAMISA: ORIGEM E MOMENTOS ICÔNICOS

Como surgiu e o que significa o hábito de trocar camisas entre os jogadores de futebol?


Tão comum nos dias de hoje que talvez passe despercebido. O momento em que dois jogadores adversários trocam suas camisas, seja no intervalo ou ao final da partida, já é hábito dos atletas por muitos anos. Mas de quando são os primeiros registros envolvendo esse gesto?

Origem


Os primeiros registros sobre a troca de camisas nos levam a 14 de maio no ano de 1931, dia de um jogo amistoso entre as seleções da França e Inglaterra, realizado em Colombes - França.


Esse foi o sétimo encontro entre as duas seleções na história. Nos seis jogos anteriores os ingleses venceram todos, e por um placar agregado de 25x6.

Além do retrospecto negativo, os ingleses são pioneiros no futebol e em sua profissionalização. Isso os tornava, na época, uma seleção ainda mais especial de se jogar contra e principalmente vencer (coisa que os franceses ainda não tinham feito).


Mas a história estava prestes a mudar: os franceses conseguiram a vitória de virada pelo placar final 5x2. Na emoção do momento os jogadores da França, sentindo-se orgulhosos, queriam algo de recordação daquela partida e propuseram a troca de camisas para os jogadores ingleses, que, amistosamente, aceitaram o pedido.


Momentos Icônicos


Claro que algumas trocas de camisas entraram para história, confira algumas:


Eusébio e Alfredo Di Stéfano, 1962, Benfica 5 x 3 Real Madrid

Ao final da partida válida pela final da Copa dos Campeões o jovem de 20 anos Eusébio abordou o já consagrado craque Di Stéfano e pediu sua camisa. A partir desse dia as duas lendas criaram uma longa e duradoura amizade.


Esse episódio acabou ficando muito marcado na época, pois o Real Madrid havia conquistado as cinco primeiras edições da competição e o Benfica era o atual campeão. Por conta disso, muitos enxergavam aquela final como a definitiva para quem iria reinar no continente durante os próximos anos.


Pelé e Roberto Rosato, 1970, Brasil 4 x 1 Italia

Essa troca de camisa não é marcante apenas por envolver o último jogo do Rei em Copas do Mundo, ou por ser na final com Brasil campeão. Mas sim porque em 2002, a família de Rosato leiloou a camisa de Pelé e faturou 157.750 mil libras, valor recorde na época.


Pelé e Bobby Moore, 1970, Brasil 1 x 0 Inglaterra



Após a vitória brasileira em um jogo válido pela fase de grupos da Copa do Mundo de 1970 envolvendo duas seleções favoritas ao título, duas lendas que já estavam no fim de suas carreiras internacionais concordaram em trocar suas camisas.


Por ser um jogo de tamanha magnitude, e envolver duas estrelas do tamanho de Bobby Moore e Pelé, o jornal inglês The Times publicou a foto do momento da troca de camisas e descreveu o momento como “um tiro no racismo”..


Significados


Existem muitos significados que podem explicar tal gesto. No caso dos franceses em 1931 envolveu um cunho de recordação e lembrança de um momento especial, mas é inegável que também demonstra um sinal de respeito com o adversário. Basta observar que em todos os jogos que envolvem Messi, Cristiano Ronaldo ou alguma estrela desse tamanho atualmente, sempre há algum jogador adversário querendo trocar camisas com os astros.


O sociólogo britânico Ellis Cashmore, em entrevista concedida ao New York Times, compara o gesto ao rito “Kula”. Kula é uma cerimônia que envolve troca de presentes entre tribos de ilhas do sudoeste do oceano pacífico; o intuito é manter uma relação pacífica e amistosa entre as tribos vizinhas apesar de suas diferenças.

Percebendo tais semelhanças Cashmore criticou o técnico da seleção inglesa de 1966, Alf Ramsey, que impediu seus jogadores de trocarem camisas com os argentinos após a vitória inglesa por 1x0 nas quartas de final da Copa do Mundo.


Nas palavras do sociólogo “A intervenção de Ramsey foi extremamente simbólica. A troca de rituais/cerimônias são transportadores de funções culturais, como solidariedade, afirmação de amizades e perpetuação de possíveis parceiros econômicos”.


Ironicamente, anos depois do incidente na Copa de 1966, a rivalidade entre Inglaterra e Argentina voltaria a ficar muito forte não apenas dentro de campo, mas também nas questões políticas.

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