RUNNING BACKS: PAGAR OU NÃO PAGAR? EIS A QUESTÃO

QUAIS SÃO OS RISCOS PARA UMA FRANQUIA PAGAR CARO POR UM RUNNING BACK? REALMENTE VALE A PENA?


Christian McCaffrey assinou sua renovação com os Panthers em abril de 2020. O contrato consiste em mais 4 temporadas por um valor de 64 milhões de dólares, média de 16 milhões por ano. Esse é o maior valor da história para um running back.


Somando esse fato com o acontecimento do Draft no mesmo mês, antigos questionamentos voltaram a tomar conta dos meios esportivos que comentam sobre a NFL: Vale a pena pagar uma grande porção do teto salarial para um running back? É prudente selecionar um jogador dessa posição na primeira rodada do draft?


Evidente que se tratando de um esporte tão complexo, com um jogo coletivo muito forte e incontáveis outras variáveis, não há uma ciência exata para afirmar definitivamente o que vai sempre funcionar ou fracassar, por isso vamos apenas levantar alguns pontos para tentar entender o que vem acontecendo na liga e possíveis tendências na montagem de um elenco.


Posição de alto risco


Talvez o principal fator que reforce a tese de ser cauteloso em relação ao running back é o alto risco que os jogadores da posição correm a cada snap.


Eles são os jogadores que mais sofrem tackles no campo, são acionados no jogo terrestre e no jogo aéreo, também bloqueiam e protegem seu quarterback, ou seja, estão colidindo com a defesa adversária todo o tempo e por isso podem sofrer uma grave lesão a qualquer momento, infelizmente é a triste realidade para a posição.


Por sofrerem tanto com o jogo extremamente físico, as carreiras desses atletas acabam sendo as mais curtas dentre qualquer outra posição em campo. Quando um running back se aproxima dos seus 29/30 anos, muitos já ligam o sinal de alerta pois o auge da carreira pode já ter passado.


Resultado e custo benefício


Outra realidade que parece que vem se confirmando é que os times, talvez, não sejam mais tão dependentes de um running back para chegar à glória como antigamente, antes da evolução do jogo aéreo. Vejamos o exemplo dos últimos três vencedores do Super Bowl:

Além de seus running backs principais (aqueles com mais carregadas em cada equipe) ocuparem pouco espaço na folha salarial e custarem escolhas pouco valiosas no draft, ou até mesmo nenhuma, a produção dos jogadores foi de alto nível para cada campanha de título.


Damien Williams acumulou 2 touchdowns e 100 jardas terrestres contra os 49ers no Super Bowl LIV, Sony Michel anotou o único touchdown do Super Bowl LIII e Blount teve média de 6,4 jardas por carregada e um touchdown na vitória dos Eagles no Super Bowl LII.


Esses fatores levam alguns a perguntar “Por que devo usar uma escolha de primeira rodada em um running back se posso draftar alguém como Terrell Davis na rodada 6ª ou Darren Sproles na rodada 4ª?” “Compensa destinar grande parte do teto salarial em um running back se tenho uma linha ofensiva mediana?”.


Situação das franquias com os running backs mais bem pagos


Para clarear um pouco essa discussão, vamos destacar três dos cinco running backs mais bem pagos da liga (temporada 2020):


Ezekiel Elliott (Dallas Cowboys): US$ 15 milhões

Antes do início da temporada de 2019, Elliott renovou seu contrato com os Cowboys por mais 6 anos. Como vimos durante a temporada, os números de jardas terrestres, jardas por carregada, recepções e jardas aéreas do running back caíram.


Além disso, os Cowboys conseguiram uma campanha de apenas 8-8, ficando fora dos playoffs e com muitas polêmicas em torno do quarterback titular, Dak Prescott, e Jerry Jones sobre a renovação do contrato de Prescott. Muitos criticaram Jerry Jones por ter priorizado renovar com Elliott antes de conseguir um acerto com Dak.

Fontes: Getty Images


Le’Veon Bell (New York Jets): US$ 13 milhões

Em 2019 os Jets pagaram US$ 14 milhões para Bell e o running back conseguiu apenas 789 jardas terrestres, média de 3,2 jardas por carregada e 3 touchdowns nos 15 jogos em que atuou durante a temporada.

Fonte: Brod Penner / Associated Press


David Johnson (Houston Texans): US$ 13,125 milhões

Desde que assinou sua renovação em 2018, David Johnson acumulou apenas 1285 jardas (média de 642,5 por temporada), anotou 9 touchdowns e tem média de 3,65 jardas por carregada.

Fonte: Rick Scuteri / Associated Press


O que isso significa para os Panthers e McCaffrey?


Considerando todos os fatores, o que levaria os Panthers a transformar McCaffrey no running back mais bem pago da história?


Não podemos esquecer que o camisa 22 foi disparadamente o melhor jogador ofensivo da franquia na temporada 2019, e para muitos o melhor jogador ofensivo da liga que não fosse um quarterback.


Para colocarmos em perspectiva, o jogador de apenas 23 anos foi responsável por 43% das jardas ofensivas dos Panthers (maior marca da liga), obteve mais de 1000 jardas aéreas e terrestres (feito esse que só Marshall Faulk e Roger Craig conseguiram) e anotou um total de 19 touchdowns (15 terrestres e 4 aéreos) que equivalem a 51% de todo o ataque da equipe.


Além disso, existe uma carência no elenco na posição de quarterback e wide receiver. É como se McCaffrey fosse um exército de um homem só no ataque.


Somando tudo isso ao fato de não haver muitas boas opções no curto/médio prazo para o ataque do time, dispensá-lo ou não pagar o que o jogador desejava seria quase que assumir a temporada seguinte como uma equipe candidata a não passar de 4 vitórias.


Isso, inevitavelmente, afeta os negócios, menos ingressos, camisetas vendidas e diversas outras fontes de renda seriam impactadas. Ou seja, seria ruim para os negócios.


Esperança?

Mesmo sabendo de todo o histórico e do risco, vimos que existem equipes que ainda pagam alto pelo running back e acabam se dando bem, como foi o caso dos Seahawks ao renovarem com Marshawn Lynch em 2012 por mais 4 anos por um valor total de 31 milhões de dólares.


Os Vikings em 2011 estenderam o contrato de Adrian Peterson em 6 anos por 82 milhões de dólares e o running back conseguiu temporadas fenomenais como quando correu para mais de 2000 jardas em 2012, foi o MVP da liga e carregou a equipe para os playoffs.


Mas será que McCaffrey será capaz de transformar todo esse investimento em vitórias, e quem sabe, títulos?


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