POR QUE É QUASE IMPOSSÍVEL CORRER 100m EM 9s?

SERÁ QUE NEM USAIN BOLT, O HOMEM MAIS RÁPIDO DO MUNDO, CONSEGUIRIA QUEBRAR ESSA BARREIRA?


O título de atleta mais rápido do mundo pertence aquele que tiver o menor tempo nos 100 metros rasos. Por que nos 100 metros rasos? No atletismo significa dizer que a prova será disputada sem barreiras ou obstáculos na pista, em uma reta. Ou seja, uma ótima métrica de pura velocidade sobre tempo.



Além disso, temos 3 elementos importantíssimos para essa tal medida: arranque, pico de velocidade e distância considerável sem a perda de “momentum”. Tendo o terceiro motivo sendo excludente para a escolha dos 200 metros rasos, onde ocorre uma perda de velocidade inevitável na segunda metade da prova. Outro motivo importante é a questão de ser uma prova tradicional do atletismo, sendo disputada desde 1986 em Atenas. É a mais curta das distâncias disputadas em eventos ao ar livre, e também uma das mais populares modalidades do esporte.


Números

Há 50 anos, a barreira a ser quebrada era a de 10 segundos, em 1968, o estadunidense Jim Hines cruzou a linha de chegada em 9,95 segundos, mantendo esse recorde por incríveis 15 anos. Desde lá, corredores vem sendo décimos de segundos mais rápidos. Esses números já estão ficando comuns, até junho de 2019, 141 homens correram abaixo dos 10s (de acordo com marcações automatizadas datadas pela IAFF - International Association of Athletics Federations). Enquanto mais de 30 mulheres já correram abaixo dos 11 segundos. Esse fato se deve, basicamente, ao avanço tecnológico ao longo do tempo.


As pistas de corrida sofreram melhorias, treinos ficaram mais concentrados e precisos, informação foi dissipada, dietas ficaram mais práticas e flexíveis, equipamentos acompanharam os tecnológicos (mais conforto, aerodinâmica, biomecânica, suor, entre muitos outros aspectos), tudo isso sem levar em conta a discussão evolutiva dos seres humanos, o quanto fisicamente foi mudado em 50 anos.


Além disso, algo que sempre foi inerente ao ser humano foi sua mentalidade de criar e quebrar metas, mentalidade que é descrita no lema olímpico: “Citius, Altius, Fortius”, mais rápido, mais alto, mais forte.

O recorde e o título de homem mais rápido do mundo pertencem ao jamaicano Usain Bolt, com impressivos 9.58 segundos nos 100 metros rasos, com um pico de velocidade de aproximadamente 27 mph (43 km/h).


O que falta para quebrar a barreira dos 9 segundos?

Para entendermos o porquê, temos que entender os limites fisiológicos e biomecânicos da performance de um ser humano. A resposta para a pergunta é simples, a barreira de 9 segundos é praticamente inatingível por física básica. "Num cenário macro, quão rápido humanos podem correr é relação de força e massa corporal” diz Peter Wayne, fisiologista e biomecânico da Southern Methodist University.


Então podemos usar a analogia de atletas serem máquinas de aplicação de força, e força em relação a massa é o que determina o quão rápido vai ser o arranque de um atleta, o que determina a velocidade máxima dele. E há restrições intrínsecas na força. Ou seja, é sobre maximizar sua força no menor tempo possível.


Naturalmente, atletas de elite, colocam uma força no chão que chega a cinco vezes o peso corporal deles em um período de contato com o chão ou de aplicação de força de 0.09 segundos, para atingir a barreira de 9 segundos, esses atletas deveriam conseguir colocar seis vezes o peso corpóreo, e ter um período de contato de apenas 0.07 segundos.


Outro ponto importantíssimo para maximização do tempo de uma corrida é o tempo de reação de um atleta logo quando a corrida começa, se um atleta move-se antes do disparo, ele é automaticamente desclassificado, um atleta também pode ser desqualificado se ele demorar muito a sair dos blocos iniciais, mais precisamente, 0.26 segundos.


Vamos segmentar para melhorar a ilustração. Temos o arranque inicial que é extremamente dependente da força muscular dos atletas, esses geralmente alcançam 1/3 da sua velocidade máxima no arranque, ou seja, é de longe a melhor porção de aceleração. A partir daí, temos uma chamada fase de transição, em que cada passo muda o quanto de força eles conseguem aplicar, em média, até o décimo segundo passo, os atletas já chegaram em 85, 90% da sua velocidade máxima, nesse ponto, a determinante mecânica já não é intenção intrínseca de força, e sim a moção, a mecânica, a técnica de “sprint”.


Já nos últimos 30 metros, os corredores diminuem a velocidade, simplesmente por fadiga muscular, já que o período em que eles conseguem manter a velocidade máxima é muito pequena, geralmente são poucos segundos.


Pelos motivos explicados, não veremos nenhum atleta cruzando a linha de chegada em 9 segundos tão breve, mas isso não quer dizer que não veremos atletas percorrendo a distância de 100 metros em 9 segundos, na realidade, alguns atletas já conseguiram. Se removermos a aceleração do ponto zero da corrida e for liberado a corrida deliberada, é confortável atingir essa marca. O recorde para 4x100 é segurado pela equipe jamaicana, com 36.84 segundos, para que esse número possível, cada atleta após o primeiro corredor deveria manter algo em torno de 9 segundos exatos.


Provavelmente nunca iremos quebrar a barreira de 9 segundos nas condições legais atuais, porém metas sempre foram o principal motivador do ser humano, cada passo é importante, cada avanço tecnológico também. Quem sabe o que o futuro nos reserva?.

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