A MAIS NOVA PARCERIA ENTRE ESPORTE, MÚSICA E SOCIEDADE

Como o rapper Jay-Z conseguiu unir ainda mais algumas das principais paixões dos americanos

Recentemente a NFL (National Football League), principal liga de futebol americano, anunciou uma parceria com a Roc Nation, uma empresa de entretenimento que atua principalmente na área de produção musical.


A intenção de promoção da marca por parte da NFL é normal e extremamente compreensível. O interessante desse caso é a contraparte, comandada por Jay-Z, rapper americano tido por muitos como ícone dentro e fora da música.


Quem é Jay-Z?


Shawn Corey Carter, nascido em 1969, nascido no Brooklyn, bairro nova iorquino que exerceu enorme influência sobre o rapper. Ainda adolescente, Jay-Z relata que chegou a vender drogas para se sustentar.


Sua carreira musical começou em 1995, quando fundou sua primeira gravadora, a Roc-A-Fella Reccords e lançou através dela o seu primeiro álbum, Reasonable Doubt. Obra que abriu caminho para mais 12 álbums, sendo o alicerce para sua inquestionável, carreira musica. Estima-se que Jay-Z tenha vendido mais de 125 milhões de discos.


Ganhou um total de 22 Grammy Awards, o oscar da música. Segundo a revista Rolling Stones, está presente na lista dos 100 melhores artistas de todos os tempos.



O empreendedorismo também corre em suas veias


Jay-Z não se destacou apenas na música, ele é um empreendedor nato. Sua gravadora deu origem à marca de roupa Rocawear, inaugurada em 1999.

Em 2003, o bar de esportes 40/40 Club foi aberto. Ambos se tornaram negócios multimilionários. Posteriormente, em 2006, Jay-Z vendeu sua parte da Roc-A-Fella Records e deixou o negócio.


Carter não parou por aí, em 2008 fundou a até então startup, Roc Nation, empresa de entretenimento em parceria com a empresa de eventos em tempo real chamada Live Nation.


Ao longo dos anos, a Roc Nation assinou contratos de parcerias com gravadoras como Sony Music, Warner e Universal Music, hoje a empresa já é considerada uma gravadora. Artistas como Rihanna, Meek Mill, Shakira e Big Sean são representados pela empresa de Jay-Z.


A Roc Nation não se limita apenas a ser uma gravadora, é uma empresa completa no quesito produção musical. É também uma agência de talentos, produtora de shows e turnês, músicas, filmes e até mesmo atua em áreas como a filantropia.


Como funcionará a parceria entre Roc Nation e NFL?


Sob a gestão de Jay-Z, a Roc Nation assumirá uma posição importantíssima em uma iniciativa de mudanças focadas em educação e avanço econômico, incentivando a melhora na relação entre comunidades e força policial. Além de focar na re-inserção de pessoas com históricos criminais.


Além de promover um impacto social entre esporte e música na vida de várias comunidades e, a empresa de entretenimento será encarregada de gerenciar os artistas, produção e promoção do evento musical mais assistido do mundo, o famoso show do intervalo do Super Bowl, a final da NFL.


A onda de protestos contra a discriminação racial em solo americano


Essa parceria entre a NFL e Roc Nation foi uma surpresa para muitos, explicados por alguns episódios envolvendo Jay-Z e a liga,também por conta de uma polêmica que se arrasta desde 2016 envolvendo a NFL e o atleta Colin Kaepernick.


Em 2018, em um verso da música “Apeshit”, Jay-Z canta: “I said no to the Super Bowl, you need me, I don't need you...” – em tradução livre: “Eu disse não ao Super Bowl, vocês precisam de mim, eu não preciso de vocês...”.


Através da música, muitos artistas protestam contra alguns assuntos delicados, Jay-Z não é diferente, após muitas críticas diretamente direcionadas à liga por conta da polêmica Kaepernick.


O movimento liderado por Kaepernick


Em 2016, o então quarterback do San Francisco 49ers, Colin Kaepernick iniciou um movimento que pouco tempo depois se tornou um dos assuntos mais comentados e discutidos do ano.


É prática comum a execução do hino americano antes de eventos esportivos. Também é comum a postura dos americanos perante ao hino e tudo que representa ao seu povo. Indo contra a postura adotada por todos, Kaepernick ajoelhou-se durante o hino nacional americano como forma de protesto contra a discriminação racial e a força excessiva praticada pela polícia americana em suas abordagens especificamente com a população afro americana. Após algum tempo, outros atletas e americanos o aderiram ao movimento, levando a uma repercussão internacional.


Seguindo os conselhos do governo americano, a Liga começou a aplicar multas e suspensões aos times e atletas que continuassem a ajoelhar durante o hino. Como o movimento se espalhou pelo território americano, outras ligas como a NBA (basquete) e a MLB (beisebol) também aderiram a essa forma de “retaliação” aos protestos dos atletas.


Após o final do seu contrato, em 2017, Colin Kaepernick não recebeu proposta de contrato de nenhuma das 32 equipes da NFL. Retaliação? Medo? Preconceito? Não sabemos ao certo o que se passa, mas é extremamente compreensível a dúvida, tratando-se de um atleta vice campeão de Super Bowl, atlético e jovem.


O que podemos esperar desta nova parceria?


Ao que tudo indica, o objetivo de Jay-Z em firmar a parceria com a NFL vai muito além de valores financeiros. Trata-se de valores morais com a sociedade americana, não se espelhando em apenas um caso ocorrido, mas olhando a sociedade como um todo.


Segundo Jay-Z, “ Eles estavam dispostos a aceitar algumas de nossas exigências, fazer algumas mudanças, para que a gente consiga fazer algo bom juntos...”.


É apostando em sua influência, tanto monetária como visual, que Jay-Z tenta aproximar comunidades e questões sociais à um dos esportes mais assistidos no mundo.