O QUE ESPERAR DE JOE BIDEN?

APÓS UM TUMULTUADO PROCESSO ELEITORAL, QUE LEVANTOU DÚVIDAS SOBRE UMA TRANSIÇÃO PACÍFICA, OS EUA ESTÃO SOB NOVO COMANDO


Tudo deu certo, mas o que esperar do 46º presidente norte americano na economia e nos negócios?


Estímulos

O primeiro item da agenda econômica de Biden e Janet Yellen, a nova secretária do tesouro, com certeza é um novo pacote de estímulos para a economia americana, enfraquecida pela pandemia.


A dupla logo apontou o canhão, anunciando uma proposta de um pacote de 1,9 trilhão de dólares. Entre as medidas há uma proposta de um salário mínimo nacional de 15 dólares por hora, um pagamento único de 1.400,00 dólares para todos os cidadãos norte americanos, aumento no seguro desemprego, estímulos fiscais e medidas temporárias impedindo despejos de inquilinos inadimplentes.


O plano é ambicioso, e certamente enfrentará oposição no congresso. Esse será o primeiro grande desafio de Biden (tirando a vacinação) na presidência, e irá testar sua capacidade de articulação política, que sempre foi seu ponto forte na época de Vice Presidente e Senador.


Meio Ambiente

Se o pacote de estímulos é o mais urgente, podemos afirmar que a agenda ambiental é a mais importante para Biden. Poucos assuntos foram mais comentados na campanha, e é esperado que o novo presidente leve muito a sério o tema.


Inclusive, uma das primeiras medidas do Democrata foi cancelar o projeto do controverso duto de petróleo “Keystone XL, que ligaria o Canadá aos Estados Unidos. O projeto havia sido vetado por Barack Obama e recomeçado por Donald Trump.


Outra medida que ganhou bastante destaque foi a volta dos Estados Unidos ao Acordo de Paris. Ainda sob comando de Trump, o país havia abandonado o maior acordo mundial de proteção ao meio ambiente.


Big Techs

Na política americana as grandes empresas sempre foram mais queridas pelos Republicanos do que pelos Democratas...até agora. Os recentes problemas da base Trumpista com o Facebook, Twitter e Amazon deflagrou um movimento que já vinha acontecendo há algum tempo, de rebeldia contra as grandes empresas de tecnologia por parte dos Republicanos.


Nos últimos meses de 2020 apareceram notícias de ações antitruste contra Facebook, Google e Apple. Muito provavelmente veremos esse movimento continuar com Biden.


O que muda é que as ações devem ter apoio do presidente e dos dois partidos, algo inédito na era das Big Techs.


China

Se tem algo que não deve mudar muito é a postura combativa do governo em relação à China. Claro, não haverá aquela retórica esdrúxula e populista de Trump, mas é esperado que Biden continue “em cima” de Xi Jinping.


Isso inclui ações anti pirataria, contra o roubo de propriedade intelectual, questões sobre a balança comercial entre os países e, claro, tarifas.


Yellen já avisou que o governo Biden vai atuar contra as práticas “abusivas, injustas e ilegais” da China.


Impostos

Uma das principais medidas de Donald Trump foi o corte de impostos, que atingiu empresas e pessoas físicas. Rejeitado pela base dos Democratas, muitos dos eleitores esperam que ele revogue a reforma de seu antecessor.


Aumentar impostos durante uma crise econômica e de cara desagradar a Corporate America será um imenso desafio, e mais uma vez irá testar a capacidade de articulação do novo presidente.


Brasil

Por fim, sabemos que o Brasil pode ficar em uma situação delicada. O Presidente Bolsonaro precisa rapidamente esquecer sua “história” com Trump, e de cara abraçar Biden e sua política ambiental global.


Mas todos nós sabemos que isso não irá acontecer.