O PROBLEMA DOS NÚMEROS "POR JOGO" NO BASQUETE

SERÁ QUE AS ESTATÍSTICAS FREQUENTEMENTE UTILIZADAS, COMO PONTOS POR JOGO E MUITAS OUTRAS, REFLETEM BEM O QUE ACONTECE EM UM JOGO DE BASQUETE?


Quando estamos em uma roda de amigos falando sobre basquete, acompanhando as transmissões dos jogos e de programas de debates sobre o esporte, é comum escutarmos falas do tipo: “Claro que o jogador X é melhor que o Y, basta reparar em sua média de pontos e rebotes por jogo” ou então: “Mais um triplo duplo na conta dele, realmente ele faz de tudo, é um jogador completo”.


É evidente que esses números devem ser considerados, o problema é que eles, normalmente, são jogados e vomitados de maneira simplista e fora de contexto, culminando em uma distorção do que pode realmente estar acontecendo.


O que realmente são esses números?

Seja a métrica pontos por jogo, assistências por jogo ou outras, o resultado final dessa métrica é puramente nominal (pelo menos boa parte dela), ou seja, a métrica acaba falhando em medir a qualidade do fundamento.


Isso significa que: uma bandeja livre entra na mesma categoria de um arremesso de média distância com marcação dupla no estouro do cronômetro. O mesmo vale para as assistências: um simples passe para um companheiro sendo marcado pelo melhor defensor adversário tem o mesmo valor quantitativo que aquele passe desconcertante que encontra um companheiro livre para marcar a cesta.


Comparando dois jogadores

Para ilustrar esse impasse, vamos comparar as médias de pontos e assistências por jogo de dois jogadores que atuaram na mesma posição (armador) ao longo de uma determinada temporada:

Olhando estatisticamente, podemos chegar a conclusão de que o Jogador 1 produziu mais pontos para seu time em relação ao Jogador 2.

Agora vamos ao contexto: a temporada em que os jogadores tiveram essas médias foi a de 1990-1991. O Jogador 1 é Michael Adams que atuou pelo Denver Nuggets e o Jogador 2 é o lendário Magic Johnson dos Lakers.


Vale mencionar que apesar da belíssima temporada de Michael Adams (do ponto de vista quantitativo, pelo menos) o armador dos Nuggets não foi selecionado para o All-Star e nem para as seleções dos melhores da posição no ano.


Por outro lado, Magic Johnson esteve presente nos escolhidos para o All-Star game e esteve presente na seleção do quinteto ideal do campeonato.


Um dos fatores que explica as premiações para Magic e não para Adams é o desempenho de suas equipes e como eles contribuíram para a campanha ao longo do campeonato (fatores esses de extrema importância para contextualizar uma comparação entre dois jogadores).


Os Nuggets, naquele ano conseguiram apenas 20 vitórias, enquanto que os Lakers venceram 58 jogos e foram campeões do oeste para mais tarde perderem o título da liga para os Bulls, de Michael Jordan.


Além disso, os Nuggets tiveram apenas o vigésimo primeiro melhor offensive efficiency* (estatística que mede o desempenho ofensivo de uma equipe ou jogador) e os Lakers o quinto melhor da liga.


Michael Adams teve um companheiro de equipe com média superior a 25 pontos por jogo e outros dois superior a 14. Enquanto que o melhor companheiro de Magic teve média de 21,4 pontos, além de somente mais um jogador com média superior a 14 pontos por jogo.


Isso significa que os números dos dois jogadores foram conseguidos de maneiras bem distintas.


Sempre falam que números não mentem, isso é verdade. Porém devemos saber o que perguntar e como interpretar os números. Além de entender as circunstâncias e contexto de cada estatística.


*offensive efficiency = total número de posses de bola de uma equipe na temporada**/total de pontos feitos pela equipe. O resultado dessa divisão é multiplicado por 100 e assim de tem o offensive efficiency.

**o número total de posses de bola de uma equipe é calculado da seguinte maneira: Arremessos tentados - Rebotes Ofensivos + Turnovers + (0,4 x lances livres tentados).

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