O MAGAZINE LUIZA PODE IMPEDIR A AMAZON DE TER SUCESSO NO BRASIL?

APÓS BEIRAR A FALÊNCIA, ENTENDA COMO A EMPRESA BRASILEIRA ESTÁ LIDERANDO O VAREJO NO BRASIL.


A famosa varejista Magazine Luiza é um excelente exemplo de turnaround. Alguns anos atrás a empresa vivia sérias dificuldades financeiras, e em 2016 suas ações chegaram a custar apenas R$1,00.


Hoje em dia, a história é outra. O MagaLu se tornou sinônimo de empresa bem sucedida, e suas ações subiram subiram impressionantes 35000%.


Mas será que o seu sucesso pode atrapalhar os planos da gigante Amazon no Brasil?


Passos pequenos

A gigante do varejo global Amazon vem entrando aos poucos no mercado brasileiro. A timidez de sua expansão por aqui muito se deve às particularidades do país, como por exemplo o ineficiente sistema tributário e a complicada logística.


O início da Amazon no Brasil se deu em 2012, de maneira bastante parecida com o início da empresa nos anos 90. O template do site era igual a versão norte-americana, mas todo o conteúdo em português. Eram vendidos apenas ebooks e o leitor digital Kindle.


Já em 2014 a Amazon passou a vender livros físicos no Brasil, que levou ao passo seguinte do modelo de expansão. Nessa fase os custos aumentam, especialmente através por conta da logística, frete e centros de distribuição. Em 2017, o "marketplace" foi aberto, em que permite que terceiros vendam seus produtos no site da Amazon.


Em 2019 foi dado o principal passo para a consolidação da Amazon no Brasil: o Amazon Prime. Por apenas 10 reais por mês, o consumidor pode ter acesso ao streaming de vídeo, o streaming de música, descontos especiais e frete grátis. Inaugura-se então a fase da experiência através dos serviços, que transformou a Amazon no que ela é hoje em dia.


Magazine Luiza ou MagaLu?

Já o Magazine Luiza tem uma história bastante diferente. A rede foi fundada em 1957 em Franca, no interior de São Paulo. A história da companhia é de uma rede de varejo tradicional, pouco diferente de suas concorrentes.


Então como uma tradicional e interiorana loja passou a ser uma pedra no sapato de uma grande empresa de tecnologia?.


A virada no Magazine Luiza aconteceu mais por necessidade do que por opção. Uma vez símbolo do varejo brasileiro, a empresa passava por grandes dificuldades, tendo suas ações chegado a R$ 1 na Bolsa de Valores brasileira em 2016.


A saída não tinha como ser diferente, ou se adapta à nova realidade do varejo ou fechava as portas.


A história desde então todo mundo já conhece, a Magazine Luiza abraçou o varejo online e aos passos da Amazon passou a investir no cliente. Hoje em dia a empresa funciona como um grande marketplace online, possuindo grande integração entre suas lojas físicas e seu comércio digital.


Outra faceta importante da empresa foi investir nos vendedores em seu marketplace, ao os ajudar com capital de giro, transporte, seguros, etc. Algo que a Amazon não faz.


Além disso, a empresa reposicionou sua marca, utilizando o nome MagaLu, e criando a personagem virtual "Lu do Magalu".


Amazon vs MagaLu

O sucesso da MagaLu levantou o questionamento: será que a empresa está retardando a expansão da Amazon no Brasil?


Apesar da resposta ser inconclusiva, é difícil negar que a MagaLu tem vantagens comparativas em um país tão complexo quanto o Brasil. A marca forte nacionalmente e o conhecimento do mercado brasileiro também ajudam.


Outro fator importante é a guinada virtual que o Magazine Luiza fez nos últimos anos. Hoje em dia a empresa conta até com um departamento de inovação tecnológica, chamado de "Luiza Labs".


Os investimentos digitais do MagaLu devem continuar, especialmente depois do recente follow on de ações (venda de ações adicionais de empresas que já são negociadas na bolsa de valores), que acabou por captar quase 5 bilhões de reais. Os rumores dizem que a empresa pretende investir em serviços, algo parecido com o Prime da Amazon.


A Amazon, por sua vez, deve continuar com seu plano tradicional de expansão no Brasil. Entretanto, muito se fala que para realmente se estabelecer aqui a empresa terá de se adaptar ao país. Tem se levantado a hipótese que a Amazon teria de realizar algum M&A no país para consolidar sua marca. Até mesmo se fala na compra dos Correios.


Será que sempre foi fácil?

A Amazon nem sempre teve facilidade em adentrar em novos mercados consumidores, nos quais ela não domina. Dois bons exemplos são a China e a Índia.


Todos sabem o quão difícil pode ser entrar no mercado chinês, que possui grande regulação e é bastante voltado para o público local. Especialmente se levarmos em conta o sucesso dos “equivalentes chineses”, como são conhecidas as empresas que replicam negócios ocidentais na China, como o Baidu, que seria o Google; e o WeChat, que seria o WhatsApp.


A Amazon sentiu isso na pele. A varejista americana fracassou na China, tendo de fechar seus negócios próprios por lá em julho de 2019. Hoje em dia, a empresa vende apenas produtos vindo de outros países, mas não possui operações diretas na China.


O principal culpado para o fracasso na China tem nome e sobrenome: AliBaba. A gigante chinesa domina o mercado local, fazendo com que a Amazon ficasse de fora.


Já na Índia a história é um pouco diferente. Apesar das enormes dificuldades a Amazon tem conseguido encontrar caminho para adentrar no mercado local, tendo de se adaptar aos costumes e idiossincrasias do país.


Ao entrar na Índia a Amazon encontrou um mercado fragmentado e regulações hostis. É nesse cenário que a empresa teve de reformular seus negócios, comprando concorrentes diretos e explorando novos mercados.


Um bom exemplo é o fato do serviço conhecido como “Amazon Fresh” ter chegado ao país. Nessa modalidade os produtos vendidos são alimentícios, especialmente especiarias, grãos, vegetais e frutas. O mercado é altamente lucrativo na Índia e grande demais para ser ignorado.


Outra questão foi a falta de hábito do consumidor indiano comprar online. Para isso, a Amazon teve que literalmente ensinar os consumidores a usar o site/app da empresa, através de cartazes ou folhetos.


De um jeito ou de outro, é intrigante ver como essa briga vai se desenvolver. Além disso, não deixa de ser interessante ver uma empresa brasileira realmente brigando com uma gigante como a Amazon.




0 visualização
  • Facebook
  • Instagram - Grey Circle
  • Spotify - Grey Circle
  • Twitter - Grey Circle

ARK ©