ESTATÍSTICAS DE FUTEBOL QUE USAMOS DE MANEIRA ERRADA

VEJA ERROS COMUMENTE COMETIDOS QUANDO VAMOS INTERPRETAR OS NÚMEROS DE UMA PARTIDA DE FUTEBOL.


Seguindo o exemplo da matéria sobre o problema com os números “por jogo” no basquete, vamos abordar algumas métricas que muitas vezes são interpretadas de maneira equivocada.


Precisão de passe (%)


Neste caso o erro está quando usamos essa estatística para julgar a habilidade de passe de um determinado atleta.


O aproveitamento e precisão de cada atleta pode variar muito de acordo com sua posição e com o que o técnico pede para o jogador fazer dentro das quatro linhas, além do estilo de jogo de cada equipe é claro.


Arsène Wenger nos tempos de Arsenal costumava dizer que não queria ver jogadores como Mesut Özil com um aproveitamento acima dos 95%. Isso porque dessa maneira Özil não estaria arriscando criar chances com passes difíceis e estaria se contendo apenas com os passes fáceis de baixo risco.


Posse de bola (%)


A tão falada e polêmica posse de bola. Aqui o equívoco está quando ela é utilizada como sinônimo de qualidade de jogo, ou seja quanto mais posse de bola, melhor o jogo da equipe. Mas como podemos encontrar no livro “Pep Confidencial” de Marti Perarnau, a posse de bola é um meio para o fim. É uma ferramenta e não o objetivo principal.


Não existe uma correlação entre posse de bola e vitória, o futebol nos oferece diversos exemplos de equipes com estilos de jogos diferentes sendo vencedoras independente disso. Vimos isso na semifinal da Champions League de 2014, no segundo jogo entre Real Madrid e Bayern de Munique, na Alemanha, os espanhóis fizeram 4x0 com 36% de posse de bola. O roteiro se repetiu na eliminação brasileira para a Bélgica na Copa do Mundo de 2018, após um primeiro tempo cirúrgico de Hazard, De Bruyne, Lukaku e cia, os belgas souberam controlar bem a partida mesmo passando cerca de 40% do tempo com a bola no pé.


Porcentagem de defesas feitas por um goleiro


Essa métrica muitas vezes acaba sendo usada para reforçar a habilidade de um goleiro em defender as finalizacoes do adversário. O cálculo é feito pela divisão do número de defesas pelo número de finalizações em direção ao gol.


O problema é que essa métrica trabalha com números brutos e consequentemente acaba por deixar de lado a “qualidade” das finalizações que o goleiro pode enfrentar, por exemplo, um goleiro terá muito mais dificuldades de defender se as finalizações acontecerem dentro da área do que de longa distância, e isso não entra na equação.


Roubos de bola


Esse número é comumente usado para avaliar a habilidade defensiva de um jogador. O problema é que assim como na precisão de passe (%), os roubos de bola podem estar enviesados de acordo com o estilo de jogo de cada equipe. Além disso, nem toda ação defensiva é tangível e/ou mensurável, como por exemplo o posicionamento correto que impede o oponente de tentar um passe, linha de impedimento, cobertura e outros.


Portanto, nesse caso, os roubos de bola e interceptações indicam melhor o estilo de cada jogador e também de cada equipe, se o jogador é mais proativo e agressivo quando está defendendo. Se formos resumir o quanto um defensor é bom apenas por esses números, como explicar Virgil Van DIjk com uma média de 0,8 roubos por partida e 1 interceptação por jogo?


Bônus: Evitar comparar jogadores com minutos diferentes


Jogadores com mais minutos em campo tendem a ter mais chances de melhorar suas estatísticas brutas, além disso, muitas vezes ao comparar dois jogadores um dos parâmetros usados é o número de partidas, sendo que ainda que o jogador entre nos acréscimos do segundo tempo, será contabilizada a partida em seu currículo.


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