COMO A LOUIS VUITTON CONSTRUIU SEU REINADO DE LUXO?

CONHEÇA A TRAJETÓRIA DE UMA DAS MARCAS MAIS COBIÇADAS DO MUNDO.


De acordo com o ranking das 100 marcas mais valiosas de 2019 da revista Forbes, a Louis Vuitton possui a melhor colocação entre a categoria de luxo, estando em décimo segundo lugar com o valor da marca avaliado em 39.3 bilhões de dólares, o interessante da lista é que 6 das 11 que estão à frente da “LV”, são do setor de tecnologia, esse fato nos instiga pois mostra a força da marca mesmo estando próxima desses tubarões.


Outro fato importante, é que a sua única competidora no setor de luxo é a marca Gucci, que está na trigésima posição com a marca avaliada em 18.6 bilhões de dólares.

História

Em 1854, em Paris, na França, o designer e empresário francês Louis Vuitton Malletier, como qualquer bom idealizador e empresário, viu a necessidade de mudança nas trunks (maletas/ baús de transportes) dos passageiros que viajavam longas distâncias.


Os famosos trunks por mais que tivessem alguns aspectos práticos, precisavam de uma reformulação, e foi aí que Louis V. Malletier entrou, com um design completamente inovador, fugiu dos moldes utilizados pelas empresas da época e entrou de cabeça em modelos de maletas retangulares, que por sua vez eram mais leves, ocupavam menos espaço e consequentemente facilitavam o transporte.


Os “flats tops” (topos planos), modelados nas novas maletas, soaram na época como revolucionários. No período era muito comum a aquisição dessas maletas para proteger e guardar os bens pessoais dos viajantes, num tempo em que trens e navios eram o principal meio de transporte.


Com o crescimento dos baús, rapidamente LV chamou atenção da realeza, mais precisamente da imperatriz francesa Eugénie de Montijo, casada com o rei Napoleão III, Eugenie fez de LV seu “craftsman” pessoal e com esse fato, clientes vinham de todos os lugares, mas mais importante, clientes da elite.


Com a popularidade crescente da marca, o inevitável aconteceu, competidores começaram a produzir “trunks” que imitavam o de LV, forçando-o a trocar o modelo da paleta para as famosas e consolidadas marcas marrom e bege. Apesar disso, 3 anos depois, na abertura da primeira loja Oxford Street London, em Londres, réplicas começaram a circular de maneira descontrolada. Novamente, na tentativa de proteger seu trabalho, LV teve a ideia de marcar seus “trunks” com a frase “”LV registered trademark”. Mais uma saída que ajudou na caminhada da criação de identidade visual.


Consolidação da marca LV


O passo fundamental para o sucesso está descrito na meticulosidade entre o alinhamento de valores e estratégias, passo fundamental para a estabilização de uma marca.


LV começou posicionando seus produtos como uma marca global, instalando lojas na França, Inglaterra e Estados Unidos da América até mesmo depois de sua morte. A maior vitória da marca veio na ainda constante replicação dos produtos, quando foi criado o conhecido mundialmente padrão monograma LV, que carrega a imagem de luxo por onde passa e é até hoje sinônimo da marca e principal associação, foi criado o que é mais importante para o marketing, uma identidade visual sólida e conhecida nos quatro cantos do planeta.


A expansão citada acima foi importantíssima, pois todas as localizações foram extremamente precisas, como é o exemplo da maior loja na época, na avenida Champs-Élysées, na França. Ou na quinta avenida em Nova Iorque, EUA.


Cuidado na produção


Marcas de luxos e produtos de luxo compartilham algo em comum, a qualidade excepcional nos produtos e na produção.


Esses produtos detém um nível altíssimo de criatividade e ousadia, são raros, únicos e por esses motivos, extremamente seletos com seus compradores, pois agregam valores altíssimos na roda, fazendo com que apenas aqueles que realmente apreciam e não vão sentir a conta bancária, adquiram.


A marca francesa tem em seu coração qualidade e tradição, cada item produzido na empresa, é feito à mão pelos “experts craftsman”, e com isso temos algo importantíssimo que também contribuiu para a criação da marca. Quando você compra um item da LV, você está comprando herança, produtos de alta qualidade, bens que nunca saíram de moda, trabalho de profissionais, valores e paixão.


Clientes fiéis e lucrativos


Como a maioria das marcas de luxo, a LV não é diferente, faz um tipo de “seleção de classe”, por meio do que é conhecido de demanda sub atendida, ou seja, uma produção abaixo da demanda esperada para aumentar a margem do produto e utilizando o argumento de exclusividade, tendo um público fiel e fixo, sem a necessidade de “correr atrás de clientes”.


Algo muito comum no mercado é a realização de “Market Share” e definição de classe para definição do valor e qualidade do produto.

Uma vez que entendemos isso, entendemos o tipo de cliente, e a partir daí, temos um universo novo de oportunidades, desde como atingi-lo até como ele se comporta e nisso a LV reinou.


Ou seja, como qualquer marca do ramo de luxo, LV quer colocar na cabeça do consumidor o que ele realmente está comprando, que no caso são itens de extrema qualidade e as famosas ”statement pieces” (itens que falam por si só), coisas extremamente importantes no mundo da moda, pois demonstram expressão.


Para manter o tipo de cliente como é desejada pela empresa, manter a exclusividade e tudo que ela representa para os valores da empresa, cada item que não for vendido dentro do prazo da temporada é oferecido aos empregados, e somente empregados, por um valor menor. Caso não sejam vendidos para os empregados, os itens são queimados e destruídos, tudo isso visando manter o valor de exclusividade da marca.


A busca constante por novas oportunidades e tendências


Com todo o conhecimento e as estratégias usadas pela marca, vemos que há uma enorme valorização de tendências e do mercado. Foi pensando nisso que a empresa conseguiu um aumento exponencial nos últimos anos com as famosas colaborações. Sendo essa a junção de marcas, geralmente, para a produção de uma determinada temporada, juntando aspectos das marcas envolvidas para atrair públicos diferentes. Ou seja, duas ou mais empresas acreditam no seu potencial de criação de um novo produto que vá agregar tanto valor, como novos clientes.


No ano de 2017 a marca teve uma das colaborações mais bem avaliadas da história, em que juntou os produtos de “streetwear” da marca Supreme com seus produtos “high end”. Peças que fomentaram o mercado de revenda e foram vistas em famosos do mundo todo, como Neymar e Lewis Hamilton. Além dessa colaboração, a junção com a cantora Rihanna e o artista Jeff Koons são também obras vivas da exatidão exercida pela marca.


Além disso, a recém contratação do diretor criativo Virgil Abloh é um passo extremamente ousado e certeiro, o americano formado em arquitetura tem uma carreira extremamente sólida no mundo da moda.


Desde estilista pessoal do rapper Kanye West até a criação das marcas “Pyrex” e “Off-White”, tudo que o estilista toca vira ouro. As marcas de Virgil exploram o que foi um sucesso na colaboração da Supreme com LV, “highend” e “streetwear”. Já vemos a precisão da sua contratação e o que significou para a LV, tendo “soldout” em sua primeira coleção nas primeiras 24 horas.


Mas como uma marca de roupas e acessórios de luxo é tão valorizada?


Um dos principais motivos para a alta colocação da marca francesa, foi a fusão que ocorreu no ano de 1987 entre Louis Vuitton e Moët Hennessy, uma holding francesa especializada em artigos de luxo. Desde lá, a holding coleciona aquisições anuais de marcas mundialmente conhecidas, flutuando entre os setores de bebida, relógios, joalherias, marcas de roupa, lojas, perfumes e algumas outras atividades.


Para efeito ilustrativo da dimensão, dentre as mais conhecidas marcas da holding, temos: Hennessy, Moët & Chandon, Dom Pérignon (vinho), Tag Heuer, Hublot, Dior, Fendi, Bvlgalri, Givenchy, Kenzo, Sephora, Tiffany & Co e obviamente Louis Vuitton.


No ano de 2019, a Louis Vuitton teve 15.5 bilhões de dólares em vendas, que variam em: bolsas, carteiras, acessórios, sapatos, vestuário, relógios, joias entre outras inúmeros artefatos que tem quase mais de 2 séculos de especialização. A marca está localizada em 65 países, possui 460 lojas espalhadas entre eles e cerca de 121 mil empregados.


Perspectiva otimista


Ainda sobre o futuro da LVHM e tudo que foi plantado como valor enraizado na marca, a LV colherá frutos com os ditos “novos ricos”, os crescentes milionários asiáticos. Esse novo público, junto aos fiéis que a marca juntou devido a todos seus valores anteriormente citados, fomenta um crescimento de 16% no mercado estadunidense, mesmo frente ao impasse entre China e Estados Unidos da América.


É inegável o império construído pela Louis Vuitton, tudo que a marca representa, a identidade visual criada, o monograma conhecido em todo planeta, o modo de operação e outras coisas mais.


Também é inegável o que o futuro segura para a marca, e tudo isso é explicado pelo mesmo motivo que fez a empresa gigante, seus valores. A administração da marca foi sempre esplendorosa, sempre seguiu uma estratégia, e principalmente, sempre esteve ligada nos acontecimentos que as cercam. A marca soube aproveitar todas as ondas ao mesmo tempo que manteve toda sua elegância. Soube fazer o balanço perfeito entre luxo e “roupas de rua”.


A LVHM preservou à visão de longo prazo e sempre trabalhou com três valores, que hoje em dia são fundamentais para Bernard Arnault, o CEO. Esses três imperativos inspiram a excelência e constituem os pilares do desempenho e sucesso. Dentre eles temos, criatividade e inovação. Busca constante por entregar excelência sem comprometer a qualidade. E por último, mas com certeza não menos importante, a organização ágil e descentralizada que incentiva a eficiência e a capacidade de resposta, algo como um instinto empreendedor individual, fazendo com que haja uma busca e autonomia para cada trabalhador da marca.

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