AFTER HOURS: O ÁLBUM MAIS SOMBRIO E CINEMATOGRÁFICO DE THE WEEKND

O CANADENSE THE WEEKND JÁ É UMA LENDA DO R&B, MAS SEU NOVO ÁLBUM “AFTER HOURS” MOSTRA UMA NOVA FACETA DO CANTOR.


The Weeknd alcançou grande sucesso nos últimos anos, inclusive internacionalmente. Álbuns como “Beauty Behind Madness” e “Starboy” foram grandes sucessos com o público e com a crítica.


Agora, o cantor está de volta com “After Hours”. E nem mesmo a fórmula de sucesso dos álbuns anteriores o impediu de ousar e ultrapassar seus próprios limites.


Contrastes


Assim como em outros álbuns, e como em sua vida pessoal, The Weeknd mais do que nunca endereça a dualidade em “After Hours”. O álbum todo parece ser um grande contraste entre uma vida de luxúria, diversão e glamour; e uma outra faceta deprimida, melancólica e sombria.


O principal single “Heartless” mostra bem isso. É difícil dizer se a música é puramente hedonismo, em que o cantor se gaba de um estilo vida glamuroso; ou se é uma autocrítica, havendo uma lamentação por ter se tornado a pessoa que se tornou.


E é nessa toada que o álbum segue, sem saber se é ostentação ou melancolia.


Há uma metáfora interessante também na música “Blinding Lights”. O refrão possui os seguintes versos:

“I said, ooh, I'm blinded by the lights

No, I can't sleep until I feel your touch

I said, ooh, I'm drowning in the night

Oh, when I'm like this, you're the one I trust”


Em tradução livre:

“E eu disse, oooh, estou cego pelas luzes

Não, eu não consigo dormir até sentir o seu toque

Eu disse, oooh, eu estou afundando na noite

Oh, quando estou assim, você é a única em que eu confio”


Assim, vemos como The Weeknd está sempre exposto às luzes, que representam seu estilo de vida; mas que ao mesmo tempo o cegam e o deixam perdido.


Influência cinematográfica


Logo após o lançamento do álbum, muitos críticos o compararam com alguns filmes, especialmente “Casino” (1995), “Coringa” (2019) e “Jóias Brutas” (2020), no qual The Weeknd atua.


As comparações são bastante boas, tendo em vista a temática e os conceitos com que o álbum trabalha. Especialmente, quando tratamos de dualidade entre a vida agitada, representada pelas luzes; e a tristeza e solidão, representada pela escuridão.


Talvez o filme “Casino” seja quem representa melhor essa dualidade. A trama de Martin Scorsese mostra a vida de Sam Rothstein (Robert De Niro), um gerente de um cassino de propriedade da máfia.


O enredo se desenvolve em torno das tentativas de Rothstein salvar o cassino, que se encontra em grandes dificuldades. Ao mesmo tempo, ele tem que lidar com alguns mafiosos que atrapalham seu negócio e também com sua mulher, a ex prostituta Ginger.


As semelhanças com After Hours ficam claras na dualidade entre o glamour e as luzes de Las Vegas, ao mesmo tempo em que o cassino e a vida pessoal de Rothstein estão em dificuldades. A situação é quase idêntica ao que The Weeknd nos mostra.


Outro elemento de conexão é a própria cidade de Las Vegas. Em última instância, a própria cidade é a essência da dualidade que Casino e The Weeknd apresentam, em que as luzes e glamour sempre escondem o lado mais sombrio.


Inclusive, o clipe do primeiro singles do álbum, Heartless, reflete isso muito bem:

Em “Blinding Lights” The Weeknd também faz outra referência interessante à Las Vegas:


I look around and Sin City's cold and empty (oh)

No one's around to judge me (oh)

I can't see clearly when you're gone


Em tradução livre:


Eu olho em volta e a Cidade do Pecado está fria e vazia (oh)

Ninguém por perto para me julgar (oh)

Não consigo ver claramente quando você se vai


Coincidências


Difícil imaginar que tudo isso tenha sido meramente espontâneo. Ainda mais se pensarmos na carreira de The Weeknd como um todo, onde muitas referências artísticas estão presentes.


De qualquer jeito, vamos apreciar After Hours, e quem sabe depois assistir Casino.


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