A “FÓRMULA” QUE LEVOU OS EAGLES A VENCER O SUPER BOWL 52

COMO SERÁ QUE, DEPOIS DE 57 ANOS, A PHILADELPHIA VOLTOU A TER O MELHOR TIME DO FUTEBOL AMERICANO DERROTANDO OS PATRIOTS DE BRADY E BELICHICK COM UM QUARTERBACK RESERVA?


Os Eagles fizeram história no Super Bowl 52 vencendo de maneira improvável. Para isso, o processo de montagem do elenco teve suas particularidades. Podemos destacar três passos fundamentais:


I- Construa bem suas trincheiras (tanto ofensivamente quanto defensivamente):


Um dos pilares do plano de jogo dos Eagles é: proteger a todo custo seu QB, enquanto a defesa tenta ao máximo “assassinar” e criar o caos para o Quarterback adversário. Embora pareça simples, é extremamente difícil executar essa estratégia. Para colocá-la em prática, Philadelphia vem investindo muito nas trincheiras, observe a seguir as escolhas da primeira rodada do Draft dos Eagles de 2010 a 2017:


2010: Brandon Graham, DE, Michigan

2011: Danny Watkins, OG, Baylor

2012: Fletcher Cox, DT, Mississippi State

2013: Lane Johnson, OT, Oklahoma

2014: Marcus Smith, DE, Louisville

2015: Nelson Agholor, WR, USC

2016: Carson Wentz, QB, North Dakota State

2017: Derek Barnett, DE, Tennessee


Em apenas dois anos os Eagles não selecionaram algum jogador que não fosse de linha ofensiva ou defensiva. Dessas escolhas de jogadores de linha, três já ganharam premiações para algum All-Pro Team da NFL (Brandon Graham, Fletcher Cox e Lane Johnson).


Os Eagles entendem que o time dificilmente vai funcionar se a linha ofensiva não conseguir bloquear as jogadas aéreas e/ou terrestres, e também se a defesa não for capaz de parar o jogo terrestre e sacar o Quarterback do adversário. Além das apostas altas no draft, Philadelphia também investe bastante em salários para jogadores das trincheiras. Veja os contratos na tabela a seguir (números referentes a temporada de 2018):


Talvez você estranhe o Right Tackle ser o jogador mais bem pago da linha ofensiva (ainda mais “competindo” com Kelce e Peters) mas isso tem uma boa explicação que é um dos pontos chaves que iremos tratar.


Todos esses esforços mostram o motivo da defesa dos Eagles sempre estar jogando em um ritmo alucinante, ser bem sucedida contra o jogo terrestre e ainda conseguir forçar turnovers.


II - Investir mais dinheiro na posição de Safety e NÃO na posição de Cornerback:


Na temporada de 2018, dois dos 13 safeties mais bem pagos da liga jogavam nos Eagles (Malcolm Jenkins e Rodney McLeod), mas ainda sim esses jogadores recebem bem menos do que os cornerbacks mais bem pagos. Outro fato interessante: no ano de 2018, apenas 5 safeties recebem mais de 10M por ano, enquanto que na posição de corner 14 jogadores ganham mais de 10M. Portanto, é mais barato você conseguir uma dupla de safeties all-pro do que uma dupla de corners.


Além disso, a posição de safety atualmente é muito exigida contra o jogo aéreo (tanto zona, quanto marcação individual contra Tight End e Wide Receiver) e também contra o jogo terrestre. Hoje em dia, os safeties devem ser jogadores extremamente híbridos, devem saber ler o ataque adversário, ser um exímio jogador para fazer tackles, marcar individualmente jogadores com características diferentes no jogo aéreo, enquanto que os cornerbacks na maior parte do tempo estão alinhados apenas contra os WR’s.


Outro ponto que reforça essa lógica é de que você consegue “zebras” mais facilmente na posição de cornerback. Por exemplo, por que draftar Patrick Peterson no primeiro round se você pode conseguir Richard Sherman ou Josh Norman no quinto? Podemos mencionar também Malcolm Butler, Brent Grimes e A.J. Bouye que nem foram draftados.


Resumidamente, é mais fácil encontrar um bom custo benefício na posição de cornerback, por isso os Eagles conseguem economizar para investir pesado na linha defensiva e nos safeties. A mesma lógica serve para o ataque, economizar na posição de RB, aproveitar o contrato de novato do QB titular que joga em alto nível (Wentz) para poder gastar bastante na linha ofensiva e nos recebedores (Alshon Jeffery e Zach Ertz).


III - Atualmente, o Right Tackle é tão importante quanto Left Tackle:


No decorrer das últimas décadas, as defesas sempre alinhavam o seu melhor pass rusher (o jogador de defesa que apressa o passe do quarterback adversário) contra o Left Tackle adversário com o objetivo de conseguir agredir o ponto cego dos QB’s (maioria deles destros) para forçar um turnover e dificultar a probabilidade de fugir do sack.


Essa tendência defensiva levou os ataques a voltarem seus esforços em procurar LT’s de elite na proteção do passe enquanto que o RT era basicamente voltado para o bloqueio no jogo terrestre, ou seja, o RT era, normalmente, o pior jogador de linha protegendo o QB.


Com a evolução do jogo aéreo nos últimos anos, as defesas precisavam se adaptar com as equipes voltando a maior parte das suas jogadas ofensivas como passes e uma das mudanças encontrada foi: alinhar seu principal pass rusher contra o RT adversário, já que a maioria deles não têm o costume de defender bem seu QB em uma jogada aérea.


J.J. Watt, Von Miller, Justin Houston, Khalil Mack e Joey Bosa são alguns dos melhores pass rushers da liga nos últimos anos, aqueles com as melhores estatísticas em sacks, turnovers forçados e afins. E o que todos têm em comum? Estão alinhados, majoritariamente, contra o RT adversário.


Dentro dessa lógica, os Eagles tem na sua posição de RT Lane Johnson, que muito provavelmente seria colocado como LT se estivesse jogando na NFL entre as décadas de 80 e 90. Vale lembrar que os Eagles mantiveram Johnson na posição mesmo quando Jason Peters (LT) se machucou na temporada de 2017.


Johnson, com certeza, é um dos melhores pass protectors da liga, não só pelos prêmios que já conquistou na carreira (mencionados anteriormente), mas também por suas atuações contra os melhores: Durante a temporada regular de 2017, Lane Johnson enfrentou Justin Houston, Jason Pierre-Paul, Joey Bosa, Von Miller, Ryan Kerrigan, Demarcus Lawrence, Michael Bennett e Khalil Mack.


Se juntarmos todos os sacks desses jogadores de defesa, no ano, temos o total de 87, e quantos desses 87 foram contra Lane Johnson? Zero. A capacidade técnica de Lane Johnson e dos demais jogadores da linha ofensiva de Philadelphia mostram o porquê de eles terem conseguido o título com um QB reserva e RB’s pouco badalados.

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